"[...] Como esse é meu primeiro DVD (e CD) gravado ao vivo, quis que ele fosse bem representativo de minha carreira, de uma maneira geral. Ampliei um pouco a panorâmica que o roteiro dá sobre o meu repertório, incluindo algumas outras canções, além de uma inédita (Quarto de Dormir, parceria minha com Marcelo Jeneci).E convidei para participarem alguns artistas amigos que foram importantes nesses 25 anos de carreira. Com Nando Reis cantei Não Vou Me Adaptar, que gravamos juntos com os Titãs (no disco Televisão e, posteriormente, no Go Back, ao vivo em Montreux) e que ele incluiu depois em seu repertório solo. Com Edgard Scandurra fiz Judiaria (de Lupicínio Rodrigues, que gravamos juntos no álbum Ninguém), quase toda apenas com voz e guitarra. Com Branco Mello cantei Eu Não Sou Da Sua Rua, parceria nossa dos anos 80, que havia sido gravada por Marisa Monte em 91 e que eu regravei no Qualquer.Com as presenças de Branco e de Nando estava bem representada minha fase nos Titãs. Com Edgard, parceiro que participou de todos meus discos; minha carreira solo. Faltava minha outra banda, Tribalistas. Carlinhos e Marisa atenderam ao meu chamado, e veio também Dadi, que gravara conosco, para fazermos duas músicas daquele repertório ‹ Um a Um e Velha Infância.O resultado está aí.Ao Vivo No Estúdio. Espero que quem veja e ouça se divirta tanto quanto nós, ao gravá-lo".domingo, 30 de março de 2008
Ao Vivo no Estúdio - Por Arnaldo Antunes
"[...] Como esse é meu primeiro DVD (e CD) gravado ao vivo, quis que ele fosse bem representativo de minha carreira, de uma maneira geral. Ampliei um pouco a panorâmica que o roteiro dá sobre o meu repertório, incluindo algumas outras canções, além de uma inédita (Quarto de Dormir, parceria minha com Marcelo Jeneci).E convidei para participarem alguns artistas amigos que foram importantes nesses 25 anos de carreira. Com Nando Reis cantei Não Vou Me Adaptar, que gravamos juntos com os Titãs (no disco Televisão e, posteriormente, no Go Back, ao vivo em Montreux) e que ele incluiu depois em seu repertório solo. Com Edgard Scandurra fiz Judiaria (de Lupicínio Rodrigues, que gravamos juntos no álbum Ninguém), quase toda apenas com voz e guitarra. Com Branco Mello cantei Eu Não Sou Da Sua Rua, parceria nossa dos anos 80, que havia sido gravada por Marisa Monte em 91 e que eu regravei no Qualquer.Com as presenças de Branco e de Nando estava bem representada minha fase nos Titãs. Com Edgard, parceiro que participou de todos meus discos; minha carreira solo. Faltava minha outra banda, Tribalistas. Carlinhos e Marisa atenderam ao meu chamado, e veio também Dadi, que gravara conosco, para fazermos duas músicas daquele repertório ‹ Um a Um e Velha Infância.O resultado está aí.Ao Vivo No Estúdio. Espero que quem veja e ouça se divirta tanto quanto nós, ao gravá-lo"."Fim do Dia"

Fim do dia
Arnaldo Antunes / Paulo Miklos - 1998
Demora tanto, demora tanto pra crescer
Pra depois de uma hora pra outra morrer
Tem que mamar, tem que comer e beber
Deixar vir e ir sofrimento e prazer
Não há o que lamentar
Quando chega o fim do dia
Um cara que anda tem que chegar em algum lugar
Um cara que trabalha trabalha trabalha deve se cansar
O cara estuda tanto e ainda tem tanto pra aprender
Passa o tempo e fica mais fácil esquecer
Não há o que lamentar
Quando chega o fim do dia
Não há o que lamentar
quando chega o fim do dia
Se despede da sua dor
Diz adeus à sua alegria
Não há o que lamentar
Quando chega o fim do dia
*Foto: Márcia Xavier
sábado, 29 de março de 2008
Estava tranqüilo demais

"Só acontece com quem tá vivo!", disse Antonio, ao olhar os restos do carro que quase caiu sobre seu corpo. "Eu tô bem, mas foi por muito pouco", falou o Sr. Teixeira, mestre-de-obra, que também acabava de salvar sua vida se jogando nas tábuas amontoadas. O silêncio, a dor, e o estado de choque era o que víamos no Sr João, mais um sobrevivente do acidente ocorrido nesta sexta-feira tranqüila, em Camboriú.
Eram 15h quando o chefe chegou. O primeiro a encontrar foi seu irmão, Sr João, responsável pela organização e manutenção da empresa. Eu observava da minha sala a movimentação dele do lado de fora, e a maneira como balançava a cabeça e articulava as mãos. Ele estava nervoso. Sr João tentava argumentar, mas era em vão. Sr Raul, o chefe, começou a se afastar de João, e sua voz, ainda agitada, se aproximava do escritório, era perceptível sua irritação. Após, alguns minutos de exaltação repetindo a mim tudo que João fazia que o irritava, ele se lembrou que João havia esquecido de cadear uma caixa de luz. Fernando, filho de Raul, tentou defender o tio, mas também foi em vão. Ao se aproximar do escritório, João ouviu tudo de novo, até tentou argumentar, mas foi vencido pelo cansaço. Então se retirou. Foi pegar o seu carro para ir ao barranco fazer o que Raul havia mandado.
Logo, a sala voltou a se acalmar. A calma e a monotonia voltaram a reinar, como muito tempo não tinha. Um dia, incomum naquele escritório. Uma sensação de inutilidade no ar. Eu e Fernando dávamos risadas algumas horas antes, de tudo que não tínhamos que fazer, e como aquele dia era raro, chato, e estranho. Aquela sensação logo passou, quando duas pessoas subiram para conversar com Raul, em sua sala. A voz dos três homens ecoava. Mas, era reunião normal como todas. E aquele escritório voltava a ter a cara de sempre. Por pouco tempo.
Cerca de 10 minutos depois que os dois homens subiram, o Sr Teixeira apareceu na porta do escritório, e dessa vez não foi sorrindo e entrando pra tomar o meu cafézinho. Com os olhos arregalados, as mãos sobre o joelho esquerdo que sangrava, e muito ofegante, ele perguntou - Cadê o Raul??? O João caiu do barranco...!! Não consegui ouvir mais nada do que ele dizia. Nunca subi aquelas escadas com tanta velocidade, mas ainda não tínhamos noção do que havia acontecido.
Raul numa grande ansiedade tentava explicar a atendente do SAMU aonde estávamos, mas a comunicação estava complicada e a bateria de seu celular acabara. Fiz a tentativa, mas a mulher continuava sem entender. Subi na moto e voltei as pressas pro escritório para ligar de um telefone fixo. A assistência chegou rápido. João, gemia de dores no corpo. Sua clávicula estava quebrada. Ora, seu carro havia caído de cima de um barrando sobre colunas de ferro, que perfuraram o painel à frente do volante e o capô da parte superior, caindo novamente na posição normal. Ele não largou as mãos do volante por vários minutos. O rosto suado, e olhar profundo de quem acabara de ver sua morte ficaram gravadas na minha mente. Assim como, os olhares perplexos de Antonio e do Sr Teixeira, que após o Sr João ser levado ao hospital, ficaram lado a lado olhando em silêncio a cena daquele episódio. Imaginando o que poderia ter acontecido se as mãos de Deus não os tivesse empurrado para os lados.
sexta-feira, 28 de março de 2008
Memórias de um musical
Minha paixão por musicais começou cedo. Conheci incríveis histórias de amor e fantasia, através de coisas que amo: dança, música e cinema. Madrugadas a dentro assistia filmes ao lado de minha mãe, a responsável por me dispertar tal gosto pelo gênero. Filmes como Dançando na Chuva e A Noviça Rebelde faziam parte da nossa trilha. Mas, sem dúvida, Mary Poppins foi a pioneira em minha vida. Com um "tipo" de heroína, misteriosa, cantora, dançarina, carinhosa, inteligente e charmosa, todas as qualidades de uma super mulher. E era assim que eu queria ser quando crescer. Mary Poppins! Simples. Queria voar num guarda-chuva, ser divertida, e claro, linda como Julie Andrews.
Junto de meu irmão, aguardava ansiosa a noite de 'filmes gravados em cassete': Mary Poppins x Popeye. Não era em qualquer momento que assistiamos ou disputavamos nossa preferência. Eram noites únicas, somente naquelas em que meus pais saiam a bailes para dançar. A disputa era acirrada, e sempre decidida no "par ou ímpar", normalmente, eu como caçula, perdia. E era Popeye com o Robbie Willian que assistiamos primeiro. Aprendi a gostar da "brutalidade", e do "nada romantismo" filme. Pois, com certeza eram esses itens que faziam com que eu preferisse Mary Poppins a Popeye.
Mas hoje, tenho a certeza de que além de momentos cravados em minha memória ao lado do meu irmão, que me consomem de saudade, agradeço por desde pequena ter me influenciado pela personagem certa, pois Olivia Palito estava muito longe de ser a mulher da qual eu pretendia me tornar.
quinta-feira, 27 de março de 2008
Mário Miranda Quintana

Não é só a aparência simples no posar de uma fotografia. Conforme os amigos, Mario Quintana era, e ainda é, conhecido por ser o "poeta dos versos simples". A poesia com tons de ternura e pessimismo representava a sua visão do mundo. Faz poesia "porque sente necessidade", como ele mesmo afirma.
Há 102 anos e quatro meses nascia em Alegrete (RS) o escritor, jornalista e tradutor Mario Quintana, falecido em 1994, em Porto Alegre. Órfão, ele teve uma infância de muita solidão. Com 13 anos mudou-se à capital onde começou a se dedicar a literatura, no Colégio Militar. Somente com 34 anos o poeta lançou-se na poesia, porém, foi em 1966 que ficou reconhecido nacionalmente, pela obra "Antologia Poética".
O gaúcho que vivia em hotéis, teve sua grande homenagem quando ainda era vivo. No centro velho de Porto Alegre, no prédio antigo do Hotel Majestic, sua última morada, criou-se o centro cultural Casa de Cultura Mario Quintana.
O Auto-Retrato

No retrato que me faço
- traço a traço -
às vezes me pinto nuvem,
às vezes me pinto árvore...
às vezes me pinto coisas
de que nem há mais lembrança...
ou coisas que não existem
mas que um dia existirão...
e, desta lida, em que busco
- pouco a pouco -
minha eterna semelhança,
no final, que restará?
Um desenho de criança...
Terminado por um louco!
Mario Quintana
- traço a traço -
às vezes me pinto nuvem,
às vezes me pinto árvore...
às vezes me pinto coisas
de que nem há mais lembrança...
ou coisas que não existem
mas que um dia existirão...
e, desta lida, em que busco
- pouco a pouco -
minha eterna semelhança,
no final, que restará?
Um desenho de criança...
Terminado por um louco!
Mario Quintana
quarta-feira, 26 de março de 2008
"Muito Longe de Casa"
Muito longe de ser uma leitora assídua, não por falta de vontade, mas de tempo, volto depois de muitos meses a me dedicar a leituras de lazer. E de início, começo o ano com a história de Ismael Beah, Muito Longe de Casa. Não poderia ter sido melhor. Uma história envolvente, narrada na primeira pessoa na qual o autor conta sua trajetória de morador de uma aldeia na Serra Leoa, a fugitivo da guerra civil de seu país.
Livre de preconceitos, e sem dar conta de que se tratava da narração da vida de uma criança de 13 anos, Ismael Beah faz com que você mergulhe na densa floresta do seu país, sinta uma versão de suas dores, a angústia da liberdade acorrentada, a necessidade de matar ou morrer, a fé de reencontrar sua família, rir, chorar e se arrepiar. Mas, principalmente, a imensa força interior, a esperança, que permitiu com que fugisse da guerra, que insistia em persegui-lo, e chegar à Nova York vivo.
Sem dúvida, aquilo que considerava um problema pessoal, se resumiu a agradecimentos por tudo que tenho. Mas, após o extasy, lembrei-me daquilo que considero "sofrimento", entretanto, forçava-me a recordar, por mais inacreditável que fosse, de que aquela história era real, e não um roteiro de filme americano. Apesar de em breve já se tornar um.
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