Muito longe de ser uma leitora assídua, não por falta de vontade, mas de tempo, volto depois de muitos meses a me dedicar a leituras de lazer. E de início, começo o ano com a história de Ismael Beah, Muito Longe de Casa. Não poderia ter sido melhor. Uma história envolvente, narrada na primeira pessoa na qual o autor conta sua trajetória de morador de uma aldeia na Serra Leoa, a fugitivo da guerra civil de seu país.
Livre de preconceitos, e sem dar conta de que se tratava da narração da vida de uma criança de 13 anos, Ismael Beah faz com que você mergulhe na densa floresta do seu país, sinta uma versão de suas dores, a angústia da liberdade acorrentada, a necessidade de matar ou morrer, a fé de reencontrar sua família, rir, chorar e se arrepiar. Mas, principalmente, a imensa força interior, a esperança, que permitiu com que fugisse da guerra, que insistia em persegui-lo, e chegar à Nova York vivo.
Sem dúvida, aquilo que considerava um problema pessoal, se resumiu a agradecimentos por tudo que tenho. Mas, após o extasy, lembrei-me daquilo que considero "sofrimento", entretanto, forçava-me a recordar, por mais inacreditável que fosse, de que aquela história era real, e não um roteiro de filme americano. Apesar de em breve já se tornar um.

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